domingo, 22 de dezembro de 2013

"Um dia vou-te falar dos meus silêncios e espero que me ouças"

Ontem um grande amigo me perguntou "o que eu espero de 2014". Confesso que naquele momento eu não soube responder ao certo, nem estabelecer meus desejos ou prioridades.
Só que hoje, depois de digerir tudo o que essa pergunta repercutiu, talvez consiga enumerar alguns objetivos.

Há dois meses descobri que sou portadora de doença de Crohn. Entre sustos, internações, cistos, mudanças radicais em busca de hábitos saudáveis e crises inflamatórias que pedem repouso, passei a pensar metafisicamente em tudo o que meu intestino selecionou, absorveu e descartou este ano. E o quanto a reforma íntima e espiritual se faz necessária.

Dentre tais seleções, talvez a mais significativa seja a escolha de, após 9 anos, voltar a viver e conviver com meu pai, sua doença e sua herança de dívidas, pendências e processos.
Minhas economias escaparam pelos meus dedos; enfrentei horas de viagem, a luta por vaga em hospital, a dificuldade em encontrar um novo lar para ele e a aceitação de sua condição mental. 2013 me deu um filho! Mas porque eu decidi que fosse assim. E não me arrependo, pois nada vale mais do que meu coração em paz, pela capacidade de perdoar, e a alegria de após tantos anos passar o dia de Natal ao lado dele.

Por esses dois "causos", o mesmo grande amigo me pergunta: "Você se considera forte?" "Sim", respondo sem exitar.
Mas sou mesmo?

Tenho aqui a fragilidade de uma mulher de 23 anos que desde muito nova lidou com perdas, conflitos e assumiu o papel de "chefe de família", não somente pela questão financeira, mas pelo apoio emocional que minha mãe despendeu após seu divórcio e a direção que tracei em nossas vidas. Isso faz com que muitos de meus familiares me enxerguem como a "Mulher Maravilha". Já no convívio íntimo, dentro das paredes cor de areia de nosso apartamento, sou considerada fria, rude, explosiva, mantenedora da ordem e da limpeza, e a eterna companheira de minha solitária mãe.
Até quando o controle estará sob minha responsabilidade? Até quando vou suportar as consequências de minhas escolhas?

Novamente, este grande amigo me diz "sua alma é velha". Sim! Velha, cansada, carrancuda... mas cheia de vida. De movimento e poder de mudança.
Certa vez, numa aula da Pós Graduação, me defini como Benjamin Button: nasci velha; tive a infância e a adolescência carregadas de responsabilidades e emoções adultas; e hoje sinto que acordo mais jovem todos os dias, com desejo de estudar, explorar, viajar, conhecer, encontrar, arriscar, tropeçar, levantar.

Consegui aprender descartar tudo aquilo que me consome: palavras, sentimentos, pensamentos, hábitos e pessoas. Percebi o quanto me saboto e que "ser amável demais" é ser detestável comigo mesma.
Absorvi a saudade como minh'alma querendo estar perto daquilo que me faz bem. E compreendi que quando os laços são verdadeiros não existe o adeus, apenas o até breve.
Eu sei dizer não. Eu sei o que me agrega e o que me faz definhar. Eu sei que preciso de mim para viver. E que se o "mim" estiver equilibrado, positivo e disponível, é isso que vou atrair.
Eu sei (hoje) que quem se diz sozinho é porque assim deseja estar. Não estou sozinha, nem nunca estarei, porque sei dizer sim às boas energias e vibrações que me cercam, estou sempre protegida e amparada pelo meu Pai maior e meu Anjo da Guarda, e voltando a falar de seleção, eu sei quem eu quero ao meu lado! Quais mãos eu quero segurar ao caminhar, em quais abraços eu quero encaixar, em quais sorrisos o meu desperta. E eu tenho um gato!

Numa outra ocasião, este grande amigo me disse que eu sou luz, mas que ainda não me permito brilhar. O que me impede? Insegurança? Medo de sair da zona de conforto? Eu não acreditar na minha capacidade? Acomodação? Resposta: todas as alternativas anteriores.

Só que passou da hora de fazer diferente. De me colocar à frente nos meus planos, e buscar a minha satisfação!
- 2014 já começa com duas grandes provas; e meu primeiro curso na área de Produção Cultural, que é o que realmente quero trabalhar;
- Eu vou voltar ao Psicodrama no segundo semestre;
- Eu vou atrás do curso técnico que sonho em fazer;
- Eu vou dedicar todo meu amor e comprometimento à minha atual profissão, que é minha única fonte de renda. Para isso, em fevereiro, já inicio um curso de extensão;
- Eu não vou deixar de lado o que me faz bem: centro, Terapia, Acupuntura e Academia;
- Eu não vou desistir de mim!

E espero que ninguém no mundo desista de si próprio. Afinal, mesmo que você não se dê conta, faz bem a ao menos uma pessoa. E isso já significa muito num planeta onde o mau muitas vezes vence, a ganância corrompe o ser humano, o orgulho, o preconceito e a mentira vestem trajes de gala e acompanham os corpos e o amor, com medo de tudo isso, se escondeu.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Quantos encontros diferentes acontecem na vida!

"The Reader, 2008" - Eu buscava apenas um filme para entreter, relaxar e pegar no sono...


(Fonte da Imagem: http://www.lpm-editores.com.br)

Eu não tenho medo
Não tenho medo de nada
Quanto mais eu sofro mais eu amo
O perigo só fará crescer o meu amor
Ele o afiará, perdoará o preconceito
Serei o único anjo que você precisa
Você deixará a vida ainda mais bonita do que quando entrou
O céu a levará de volta, olhará para você e dirá:
"Somente uma coisa pode nos completar
E esta coisa é o amor"
(Bernhard Schlink)


The Reader, ou "O Leitor", é baseado no romance "Der Voleser" de Bernhard Schlink.
Na Alemanha pós Segunda Guerra Mundial o adolescente Michael Berg se envolve, por acaso, com Hanna Schmitz.
Michael passa mal, retornando da escola, e é amparado por Hanna. Após três meses de cama, Michael visita Hanna para lhe agradecer o cuidado e atenção.

Um simples ato de gratidão, que embarca ambos numa aventura de descobertas: Michael descobre seu corpo, o sexo, seus desejos, a realização de fantasias; descobre a paixão, e com quinze anos vive seu primeiro e único amor. 
Eu realmente acredito que podemos ter vários homens ou mulheres "da nossa vida"; paixões arrebatadoras, únicas, incomparáveis. Aventuras doloridas, ou sofrimentos deliciosos. Mas amor... esse é apenas um; e bem aventurados aqueles que como Michael, e eu, encontraram o seu aos quinze!

Hanna, por sua vez, descobre que pode ser amada, desejada, atraente e interessante, independente dos muitos "poréns", "por quês" e "comos", dos anos de diferença, da classe social, da experiência na cama e do estilo de vida.

A história da paixão de Hanna e Michael dura apenas um verão, até que ela desaparece. Uma oportunidade, uma escolha feita por uma mulher sem muitas, que talvez pudesse ser o fim do calor de uma transa, ou do prazer de uma companhia para diversas situações; inclusive, o fim das belas leituras nas quais Michael envolvia e emocionava Hanna.

Oito anos se passam e Michael, então um interessado estudante de Direito, se surpreende ao reencontrar seu passado de adolescente quando acompanhava um polêmico julgamento por crimes de guerra cometidos pelos nazistas. Neste cenário, ele faz uma importante e particular descoberta sobre Hanna, e tem em mãos a possibilidade de libertá-la, mas expor quem ama ao que mais lhe aterroriza, ou deixar que a justiça se cumpra, respeitando os princípios de um futuro homem da lei.

Mais uma vez, o amor orienta Michael, e a vida de ambos segue; e esse mesmo amor os mantém juntos durante os 20 anos que Hanna passa na prisão, através da voz de Michael, do sentimento que permite a evolução intelectual da então senhora, e da angústia ao perceber, em seu último encontro, que não há mais tempo para viver a ardente paixão do passado, mais que o amor, o aprendizado, as lembranças, o crescimento mútuo deveriam bastar, e então calar quase 30 anos vividos, juntos, mesmo que na maior parte do tempo, com os corpos separados.

"Olhando-a
agora, Gurov pensou: "Quantos encontros diferentes acontecem
na vida!". O passado deixara-lhe a lembrança de mulheres
despreocupadas, benevolentes, alegres de amor, e que
lhe eram agradecidas pela felicidade, embora muito breve,
que lhes proporcionava; de outras, como, por exemplo, sua
mulher, que amavam sem sinceridade, com palavras supérfluas,
afetadamente, com histeria, com uma expressão que
parecia significar não ser aquilo amor, nem paixão, mas algo
mais significativo(...)
Tinham a impressão de que mais um pouco e encontrariam
a solução e, então, começaria uma vida nova e bela; todavia,
em seguida, tornava-se evidente para ambos que o fim ainda
estava distante e que o mais difícil e complexo apenas se iniciava."
(A Dama do Cachorrinho - Antón Tcheckhov)

Como comecei, eu buscava um filme apenas para entreter, relaxar e pegar no sono... Mas ele me colocou de frente à tudo o que tento esconder; as dificuldades com a profissão, com o emprego, o medo do julgamento, o peso da auto-crítica e o pavor de mais uma mudança, de assumir um fato e buscar a mudança e o movimento ao meu favor; o quanto é difícil aceitar a felicidade; o quanto não estar no padrão do mundo, ou não corresponder às expectativas é frustante; o quanto sou fraca, e o quanto sou forte; o quanto sou dúbia, o quanto todos são!!

Ele me fez reconhecer mais uma vez que eu tenho um amor, que eu amei um homem, e que mesmo na ausência de paixão, de sexo, de tesão, foi o amor que me fez crescer, que me fez mulher, que me faz até hoje encontrar o sentido de tudo.

Recentemente, um amigo me disse "Seja o homem que você deseja... Só de brincadeira" e outro "Pare de procurar o amor da sua vida, porque se não ele passará e você nem vai perceber"

O amor da minha vida já passou, e ainda bem que eu o percebi. Agora o homem que eu desejo, podem ser muitos, pode ser apenas um, mas que seja o meu! Pelo menos no instante em que estivermos juntos.

Eu não estou, eu sou feliz, e qual é o problema nisso? Eu tenho saúde, por mais que descuidada, eu tenho família, eu tenho amigos, colegas, parceiros... Eu tenho sorriso, eu tenho sonhos e possibilidades de realizá-los. Eu tenho escolhas, eu tenho encontros. Eu tenho eu.






domingo, 2 de setembro de 2012

Every new beginning comes from some other beginning's end



"Eu sei que lá no fundo
Há tanta beleza no mundo
Eu só queria enxergar
As tardes de domingo
O dia me sorrindo
Eu só queria enxergar
Qualquer coisa pra domar
O peito em fogo
Algo pra justificar
Uma vida morna
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando com você
Não esqueço aquela esquina
A graça da menina
Eu só queria enxergar
Por isso eu me entrego
À um imediatismo cego
Pronta pro mundo acabar
Você acredita no depois?
Prefiro o agora
Se no fim formos só nós dois
Que seja lá fora
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando com você"
(Agridoce - Dançando)

domingo, 19 de agosto de 2012

Vocês acreditaram no sonho, e eu em vocês!

(Sebá, 2007 e 2012)

Em 2005, quando conheci Inimigos da HP, não imaginava que graças a elas muita coisa mudaria em minha vida. 
No ano de 2007, os conheci pessoalmente, e depois do show do Santa Aldeia em Julho deste ano, estreitamos os laços, passei a conviver com as pessoas que habitam em cada um dos oito integrantes da Banda naquela época, com os músicos, técnicos, rodies e parceiros desta jornada de sucesso.
Neste mesmo ano, conheci as responsáveis pelo eterno e único Fã Clube Oficial, e desde o primeiro encontro, até os dias de hoje, construímos uma relação, baseada na confiança, na amizade e no amor.

(Carol, Pam, Brú e Dani)

Juntas vivemos um pedaço inesquecível da minha história, que lembro com carinho, saudade, e sem me arrepender de nada. Foram milhares de shows, sendo alguns importantíssimos como Gravação de CD, DVD, lançamentos, comemoração de 10 anos; viagens, aventuras, aniversários, planos, trabalho; o fim do Fã Clube Oficial, idas e vindas na Banda. Muito o que contar, e muito mais ainda para guardar no coração!

O que mais me alegra, é que aquela amizade que começou pelos ídolos em comum, comemora 5 anos em 2012. 5 anos que parecem 50! Com cada uma delas aprendi, convivi, ri, chorei, dancei, viajei... VIVI, VIVO E QUERO VIVER JUNTO para sempre, se o "sempre" existir, pois sabemos que independente da distância e dos caminhos que tomamos, a solidez permanece!

(Dani, Pam, Brú e Carol)

E de tanto vivermos juntas, outras pessoas importantíssimas passaram a fazer parte do meu mundo, e com o tempo passamos a descobrir interesses em comum, estudarmos e aprendermos, além de fazer de cada dia uma nova oportunidade de se divertir! Estou cercada de pessoas que quero bem, que me querem bem e que me completam!

(Lara, Mi e Carol)

Muita coisa mudou e machucou; outras, permaneceram intactas, lindas e essenciais! E é dessas coisas que eu preciso, elas que me fazem feliz, que lavam minha alma e fazem meu olho brilhar como o de uma criança de 5 anos, quando ganha um presente, um doce, ou como o coração de uma fã, acelerado e radiante na primeira oportunidade de abraçar quem admira e agradecer pelo o que ele significa; na primeira vez que poderá expressar o carinho, a gratidão e tudo aquilo que, mesmo sem que ele saiba, faz por ela.
Um segredo... eu sempre me sinto como na primeira vez!

(Gui, Cebola, Bonilha e Alemão)

"Porque eu sei que o amor que eu plantei, ainda vive em vocês!"
E sempre viverá em mim!



terça-feira, 7 de agosto de 2012

"Caminante, son tus huellas
el camino, y nada mas;
Caminante, no hay camino; 
se hace el camino al andar.
Al andar se hace camino 
Y al volver la vista atras
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
si no estelas en la mar"


Antonio Machado Campos de Castilla; Caminante.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Amor, eterno amor




Depois de sonhar tantos anos,
De fazer tantos planos
De um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos,
Nós nos abandonamos como tantos casais
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois de varar madrugada
Esperando por nada
De arrastar-me no chão
Em vão
Tu viraste-me as costas
Não me deu as respostas
Que eu preciso escutar
Quero que você seja melhor
Hei de ser melhor também
Nós dois
Já tivemos momentos
Mas passou nosso tempo
Não podemos negar
Foi bom
Nós fizemos histórias
Pra ficar na memória
E nos acompanhar
Quero que você viva sem mim
Eu vou conseguir também
Depois de aceitarmos os fatos
Vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém
Meu bem
Vamos ter liberdade
Para amar à vontade
Sem trair mais ninguém
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois


(Marisa Monte - Depois) - Nem preciso dizer mais nada!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Psicodrama e transtornos alimentares


"Também as oficinas de transtornos alimentares com trabalhos psicodramáticos têm apresentado resultados muito incisivos: o Psicodrama permite que se estabeleça o ponto de conexão entre a desordem de origem alimentar e suas verdadeiras causas sabotadoras da auto-estima e de sua relação com a imagem. Assim, são refeitos valores e os hábitos são passíveis de transformação. É o indivíduo que se torna agente de seu diagnóstico e o resultado obtido difere, em muito, daquele obtido através do exercício da autoridade médica.
O Psicodrama também tem sido aplicado em comunidades carentes em centros de recuperação de crianças desnutridas , onde sensibilizou o envolvimento paterno e provocou uma melhoria da relação afetiva com os filhos, o que proporcionou uma busca de identidade e consequente desenvolvimento de auto-estima por parte dos pais. Em consequência, o número de crianças desnutridas caiu drasticamente e o Centro adotou o perfil de creche."

"(...)O psicodrama permite visualizar as representações ligadas à alimentaçao, à auto imagem, reviver as histórias de vida onde os conceitos pessoais foram construídos. Permite ainda uma nova construcao de valores pessoais e reestruturação de hábitos da forma que acharem melhor. Os resultados sao muito alentadores, pois as pessoas conseguem perceber onde e em que questões estiveram amarradas e tornam-se capazes de tomar decisões sobre suas dietas ou outras motivações que descobrem como principais geradoras de seus conflitos. Em muitos casos descobre-se que os chamados transtornos alimentares encobriam outras necessidades mais importantes e fundamentais para as vidas dos participantes. Importante é também perceber que quando o individuo se torna protagonista de seu diagnostico, os resultados são melhores que aqueles obtidos através do exercicio da autoridade médica." (Nazira Scaffi)

Com a leitura desses dois depoimentos, encontrados no site da FEBRAP (http://www.febrap.org.br/portal/Default.aspx) a paixão pela ciência, arte e pelo ser humano tornou-se paupável, algumas idéias brotaram e eu vejo a possibilidade de um trabalho de fato.